A MANOBRA JURÍDICA NO SUPREMO
O ministro Cristiano Zanin foi oficializado como o relator da ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que decidirá o destino da CPI do Banco Master. A petição, movida pelo senador Eduardo Girão e pelo Partido Novo, busca obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a ler o requerimento de criação da comissão, que já conta com 51 assinaturas, mas segue engavetada pela presidência da Casa.
O FANTASMA DO CONFLITO DE INTERESSES
A escolha de Zanin para o caso não passou despercebida nos bastidores de Brasília. Críticos e parlamentares de oposição apontam um potencial conflito de interesses: antes de chegar ao STF, o escritório de advocacia de Zanin prestou serviços para instituições ligadas ao sistema financeiro. A pergunta que ecoa nos corredores do Congresso é se o ministro terá a isenção necessária para determinar a abertura de uma investigação que atinge o coração do sistema bancário.
O “XEQUE-MATE”: A BLINDAGEM DE ALCOLUMBRE
O “XEQUE-MATE” desta indicação é o fôlego que ela dá a Davi Alcolumbre. Ao judicializar a questão, o presidente do Senado ganha tempo, esperando que o STF valide sua prerrogativa de “timing” político para não abrir a CPI. Caso Zanin decida a favor de Alcolumbre, o Senado se consolida definitivamente como o “porteiro da impunidade”, bloqueando o acesso da sociedade às investigações sobre os supostos esquemas do Banco Master.
O ESTOPIM DA PRESSÃO POPULAR
Com a relatoria nas mãos de um ministro indicado diretamente pelo presidente Lula, a oposição teme que a CPI seja enterrada de vez sob argumentos processuais. O estopim foi aceso: parlamentares já articulam pedidos de suspeição contra Zanin, alegando que sua imparcialidade está comprometida. A Folha Rio Negro segue acompanhando cada passo desta queda de braço que pode implodir a relação entre o Judiciário e o Legislativo.
Fonte: Folha Rio Negro
Foto: Valor Econômico


