A escalada militar entre o Irã, Israel e os Estados Unidos, intensificada após a confirmação da morte do líder supremo Ali Khamenei e ataques a hubs logísticos como o aeroporto de Dubai, lançou a economia global em um estado de incerteza. O conflito, que já resulta no fechamento parcial do Estreito de Ormuz por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, cria um cenário de “vencedores” e “perdedores” no tabuleiro geopolítico.
QUEM PODE SE BENEFICIAR COM O CONFLITO
Embora uma guerra traga instabilidade, alguns países e setores encontram vantagens estratégicas ou econômicas no cenário atual:
- Exportadores de Energia Fora do Golfo: Países como a Rússia e os Estados Unidos (através do petróleo de xisto) veem a valorização do barril, que já encostou nos US$ 120, aumentar suas receitas. A Rússia, em particular, ganha fôlego econômico e vê a atenção do Ocidente se desviar parcialmente da guerra na Ucrânia.
- Brasil e o Pré-Sal: Como grande produtor, o Brasil se beneficia do aumento do preço da commodity nas exportações. No entanto, esse ganho é contrabalançado pela pressão inflacionária interna nos combustíveis.
- Indústria de Defesa: Empresas aeroespaciais e de tecnologia militar dos EUA, Israel e de países da OTAN registram recordes em encomendas, impulsionadas pela necessidade de reposição de estoques e novos sistemas de defesa antiaérea.
QUEM PODE SAIR MAIS PREJUDICADO
A lista de nações prejudicadas é extensa, liderada por aquelas que dependem diretamente da estabilidade do Oriente Médio:
- Importadores de Energia da Ásia: Países como China, Índia e Japão são altamente dependentes do petróleo que atravessa o Estreito de Ormuz. O desabastecimento ou a alta excessiva de preços ameaça o crescimento industrial e eleva os custos de transporte.
- Países Vizinhos no Oriente Médio: Nações como o Líbano e a Jordânia sofrem com a instabilidade direta, risco de fluxos migratórios de refugiados e o impacto na aviação civil, com centenas de voos cancelados em hubs como Dubai e Catar.
- Economias Emergentes com Alta Inflação: Países que já lutam contra a inflação veem o custo da energia e dos alimentos (devido ao frete) disparar, forçando bancos centrais a manterem taxas de juros elevadas, o que sufoca o consumo.
O RISCO DO ISOLAMENTO DO IRÃ
O Irã enfrenta o risco de um isolamento diplomático e econômico total. Com a destruição de parte de sua cúpula militar e sanções ainda mais severas, o país tenta expandir o conflito através de milícias parceiras para forçar uma negociação. Especialistas alertam que o prolongamento da guerra pode levar ao “maior choque petrolífero da história”, superando as crises da década de 1970.
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Fonte: Folha Rio Negro
Foto: BBC NEWS BRASIL


