sexta-feira, abril 3, 2026

XADREZ POLÍTICO: PALANQUES ESTADUAIS EXPÕEM FORÇAS E LIMITES DE LULA E FLÁVIO BOLSONARO NA DISPUTA DE 2026

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A antecipação da corrida presidencial para 2026 está redesenhando o mapa de alianças nos estados brasileiros. A montagem dos palanques regionais tem servido como um termômetro real para medir o fôlego político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro, que surge como o principal articulador e potencial herdeiro do capital político de seu pai. Enquanto o governo federal tenta usar a máquina pública e investimentos em infraestrutura para consolidar bases no Sudeste e no Sul, a oposição direitista aposta na força de governadores aliados e em pautas ideológicas para manter o domínio em regiões tradicionalmente conservadoras.

AS DIFICULDADES DE LULA NO “CINTURÃO DO AGRO”

Para o atual presidente, o maior desafio reside em romper a resistência nos estados do Centro-Oeste e do Sul, onde o agronegócio mantém uma postura crítica severa à gestão petista. Lula tem buscado atrair governadores moderados de centro para seus palanques, mas esbarra na fidelidade dessas lideranças a um eleitorado que ainda vê com desconfiança as políticas ambientais e tributárias do Planalto. Em estados como Minas Gerais e São Paulo, a estratégia de Lula depende diretamente do desempenho da economia; sem uma sensação clara de melhora no poder de compra, os palanques governistas podem enfrentar dificuldades para atrair o eleitor indeciso que define eleições majoritárias.

O AVANÇO DE FLÁVIO E O LIMITE DO BOLSONARISMO

Do outro lado, Flávio Bolsonaro tem percorrido o país para unificar as candidaturas da direita, tentando transformar as assembleias legislativas em bastiões de oposição. A força de Flávio está na mobilização orgânica e na capacidade de transferir votos em estados como Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso. Entretanto, o limite dessa força aparece na rejeição que o sobrenome Bolsonaro ainda carrega em setores da classe média urbana e no Nordeste. O senador precisa provar que consegue construir pontes além da bolha ideológica, especialmente se quiser atrair partidos de centro que, hoje, dividem o apoio entre o Planalto e a oposição conforme a conveniência de cada reduto estadual.


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Fonte: Folha Rio Negro
Foto: Portal do Holanda

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